A Força da Retomada,
o Rio e o Grafismo Sagrado
“A nossa produção carrega a nossa história. Não é porque é dado que nós iremos aceitar: é o nosso nome e a nossa dignidade.” — Franklin Xokó, agricultor e apicultor na Aldeia Xokó
Um Povo Ilhado que Faz do Velho Chico sua Vida
Na Ilha de São Pedro, no coração do sertão sergipano às margens do Rio São Francisco, vive o Povo Indígena Xokó. Após séculos de esbulho e declarados extintos pelo Estado no século XIX, os Xokó protagonizaram em 1979 uma das mais emblemáticas lutas de retomada da história indígena brasileira, reconquistando em definitivo seu território sagrado demarcado em 1992.
Aqui, o rio não é apenas um limite geográfico: é transporte pelas canoas, fonte de pesca artesanal, memória das inundações e artéria de conexão cultural. No Colégio Estadual Indígena Dom José Brandão de Castro, jovens e mestres entrelaçam o saber escolar à tradição do Ouricuri, aos cantos do Toré e à transmissão do grafismo.
O Despertar do Grafismo Xokó
A história contada pelo livro organizado pelas professoras e professores Xokó, revelando o renascimento cultural e os segredos pintados no corpo e na alma.
3 de Maio de 2003: O Dia da Revelação
No dia 3 de maio de 2003, no território sagrado do Ouricuri, ocorreu a revelação do Cacique Bá, indicado diretamente pela Mãe Natureza. Ela, ao dar ao Povo Xokó um cacique, fez renascer também os traços, as cores e as memórias espirituais que estavam adormecidas.
Como registram os educadores da aldeia: “Sabemos que, toda vez que falamos ou escrevemos algo sobre nosso povo, a chance de ele ser esquecido diminui. E a nossa luta será constante e perpétua.”
A Simbologia dos Traços Ancestrais
Extraídos do Manual da Marca Oficial Xokó | Saberes e Fazeres
O 'X' do Nome Xokó
Força, identidade afirmativa e proteção espiritual. O eixo cosmopolítico central do povo.
O Caminhar
Traço em zigue-zague representando o equilíbrio da caminhada, a persistência e a sabedoria ancestral.
As Sementes
Os losangos vermelhos e pretos que celebram o plantio, a fertilidade da terra e a gratidão à Mãe Natureza.
Proteção
Linhas e pontos de resguardo espiritual que protegem o corpo e a mente de guerreiras e guerreiros.
Jiboia
Inspirado na serpente sagrada: simboliza a renovação contínua da pele, a reinvenção e a superação.
Catálogo Oficial: Fazeres e Saberes Xokó
Peças autênticas registradas no catálogo oficial do território: vestimentas em fibra nativa de Ibira, biojoias de sementes, arte cerâmica, remédios tradicionais de cura e salvaguarda cultural.
Cerâmica Tradicional de Barro
Cachimbo Tradicional Entalhado
Quadros e Painéis Decorativos
Vestimentas Tradicionais e Costura
Bolsa de Pano com Grafismo
Biojoias com Sementes e Miçangas
Lambedor Tradicional de Ervas
Olho de Coco (Óleo Natural)
Peças de Embira Trançada
Peixe do Rio São Francisco
Vivências em Campo: Povo Indígena Xokó
Registros fotográficos autênticos da Ilha de São Pedro, das margens do Rio São Francisco e da vida comunitária.
O Projeto em Apoio à Autonomia Xokó
O projeto atua como viabilizador técnico e financeiro das aspirações definidas pela própria comunidade indígena, respeitando a sua governança e a Convenção 169 da OIT. O foco está no fortalecimento das cadeias produtivas locais e na sustentabilidade do território:
Substituição de caixas inadequadas por caixas padrão Langstroth confeccionadas com a madeira do Neem, garantindo mel nativo de qualidade superior.
Concessão da Bolsa de Produção Cultural Local para apoiar jovens e mestras artesãs na produção contínua de peças e transmissão de saberes.
Estruturação da cadeia leiteira familiar para obtenção do Selo ARTE e estudos de estabilização da lagoa natural para a pesca com lanças.
Povo Indígena Xokó — Terra Indígena Caiçara / Ilha de São Pedro
Projeto Eixo Arte e Cultura • ITCBio | Axia | Eletrobras Chesf • Porto da Folha, Sergipe